Dia 30 de maio de 2012
Lá estava eu, no salão de beleza. Enquanto a manicure lixava minhas unhas da mão esquerda, eu tentava escolher um esmalte que combinasse com o meu humor do momento e com a ocasião do dia seguinte: amanhã farei meu primeiro photoshoot. Sabe, essas coisas de book, de quinze anos, “o sonho de toda garota”. Não fugi desse estereótipo. Amo os flashes, e minha madrinha me dera a sessão profissional de fotos como um presente de aniversário adiantado. Dois meses para eu completar quinze anos e eu finalmente me sinto feliz. Não que não me sentisse feliz antes, mas há um ano, eu passei por momentos… difíceis. Muito drama para uma menina prestes a fazer quatorze anos, eu sei. Mas eu não conseguia me encontrar. Enquanto os assuntos dos alunos do nono ano eram testes vocacionais e profissões, eu não sabia o que queria ser, o que queria fazer ou que carreira seguir. E era muito pesado pra mim, a pressão era imensa. Dos professores, dos colegas, dos pais, mas a maior delas, de mim mesma. Meu maior medo era fazer a escolha errada, e na minha concepção, eu deveria fazê-la logo.
Foi num trabalho de inglês. Meu grupo havia escolhido a música “Iridescent”, do Linkin Park, no qual me apaixonei quando ouvi. Precisava cantá-la para os alunos da classe, apresentar a letra de forma dinâmica, nada que me frustrasse. Pelo contrário, eu adorava isso. Cantei, sozinha, porque meu grupo era tímido demais e se limitavam a balbuciar a letra. Grupo seguinte. Uma música da Katy Perry. A mulher que tinha beijado uma garota e gostado? Ah sim, havia uma música dela no qual minha amiga Bianca havia me passado por Bluetooth e eu amava, Hot N´ Cold… Era só o que eu conhecia dela. Que música aquele grupo iria apresentar?
Ela se chamava Firework.
Ouvi a música. Li a letra. Ouvi minhas amigas cantando e depois assisti ao clipe. Fiquei maravilhada. Quem aquela mulher pensava que era para fazer seu coração explodir em fogos de artifício e me dizer que sou um deles? Fiquei intrigada e curiosa. Cheguei em casa, liguei o computador e fui ao Youtube para rever o clipe. A letra… era exatamente o que eu precisava ouvir. E assim passei a tarde, completamente apaixonada pela canção. No fim da tarde, eu já sabia a letra de cor e quando meu pai chegou em casa, fiz questão de mostrar o vídeo a ele. Bem crítico, ele gostou, muito. Antes de dormir, eu sabia que eu era um fogo de artifício, eu só precisava acender a luz e deixá-la brilhar. Era isso que eu deveria fazer. Cantar. Espalhar sorrisos. Hoje sei, que assim como ela me fez acordar, eu deveria fazer outras pessoas se encontrarem.
No dia seguinte, na escola, vi Amanda, minha melhor amiga e integrante do grupo que escolhera Firework. Mal podia esperar pra conversar com ela:
- Não tem a Katy? Firework. Eu amei a música!
- Ela é uma ótima cantora. Amo as músicas dela! Você gostou mesmo?
Naquela época, eu era fã de Isa TKM. O que eu conhecia de música não passava dali, mundinhos criados pela Nickelodeon no qual eu assistia desde criança e não larguei. Já Amanda, culta, sempre conheceu muito de música, filmes e tudo que rolava na atualidade. Uma perfeita aquariana, antenadíssima.
- Sim! Você sabe muito sobre ela?
- Não exatamente. Mas amo as músicas. Baixei o álbum dela um tempo atrás, Teenage Dream. É ótimo! Sempre gosto de baixar álbuns pra conhecer melhor os cantores. E ela é tão tudo a ver com você! Um conselho que vou te dar: quando gostar de uma música de alguém, escute o álbum inteiro. Baixa o Teenage Dream, sério, você vai amar.
Foi o que fiz. E sim, eu amei. Como essa mulher consegue fazer um álbum inteiro sem uma música sequer que fosse ruim? Semanas depois, baixei o One Of The Boys. Mesma coisa. Todas as músicas, todas as mensagens, cada uma com sua particularidade e ritmos contagiantes. Tá, essa mulher é incrível.
Resolvi pesquisar sobre ela. Katy Hudson, Travie, Russell, The Matrix, Taxi, Hello Katy, e quando assustei, eu havia criado um twitter fã clube e me tornado KatyCat. Foi tão natural. Uma forma de agradecê-la. Pode parecer clichê, mas agradecê-la por me dizer que sou um fogo de artifício. Ela disse, eu acreditei. E assim ela se tornou minha inspiração. My Perrynspiration.
Olhei atentamente para os esmaltes e encontrei um que se encaixava perfeitamente na Katy. “Impala novo 70 hippie rua”. Roxo como seu cabelo atualmente. A manicure já havia terminado de lixar minhas unhas e me perguntou enquanto eu viajava com os esmaltes.
- Já escolheu o que vai usar?
Optei por unhas francesas. Simples e elegante. Deixei o hippie rua pra Katheryn, quem sabe ela iria gostar…
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